sábado, 25 de junho de 2016

ARTES: objetivos subjetivos para escola

Atividade, desenho livre. Escola Leonor Nogueira.

Aprender os conteúdos de arte devem colaborar para formação cidadã, pois busca compreensão dos objetos culturais regionais e nacionais produzidos e, também, internacionais. Na atualidade o ensino de arte, nas escolas públicas, pauta-se simplesmente em conteúdos históricos e apresentação de vídeos. Por mais extenso que o conteúdo de Artes seja, os professores não conseguem aprofundar-se em sua prática.
O PCN de Arte expressa alguns objetivos a serem atingidos pelos docentes, mas que são pouco aprofundados. E para melhor pensar os objetivos irei comentar a cerca do ensino da arte na escola.
Entendam que dentro das instituições de ensino inexistem produções artísticas dos discentes ou até mesmo de seus mestres, pois ambos não são estimulados a tal prática. No entanto, é importante para o estudante saber expressar-se, comunicar-se e refletir sobre seu mundo por meio da arte.
Como pode ser visto no PCN de Arte (1997, p. 53), é fundamental "expressar e saber comunicar em arte, mantendo atitude de busca pessoal e/ou coletiva. Articular a percepção, a sensibilidade e a reflexão ao realizar e fruir produções artísticas", o que é utópico na realidade da comunidade escolar pública.
O fruir artístico mantem posição competente na sensibilização do estudante, na exteriorização de suas angústias, tal contato com o fazer artístico pode afasta-lo do expressar violento comum as comunidades escolares de então.
O curso de Arte oferecido em Instituições de ensino superior (IES) possibilita aos estudantes a escolha da linguagem artística que orientará sua formação, mas, depois de licenciado o educador, a escola pública não tem a sensibilidade necessária para acolher o professor de Arte, afasta-o da linguagem artística referente a sua formação. O PCN de Arte (1997, p. 53), diz que o docente deve apresentar aos estudantes inúmeros objetos e procedimentos do fazer/criar artístico, pois, "interagir com materiais, instrumentos e procedimentos variados em artes, experimentando-os de modo a utiliza-los nos trabalhos pessoais".
No entanto, tal ação parece um reducionismo dos conteúdos de arte, que como expressos no começo dessa transcrição, de profundidade histórica, oriunda do mais primitivo dos seres humanos, sendo esses objetivos falta de respeito à formação dos docentes em arte, que estão desrespeitados em seu fazer/criar artístico.
Não há produção artística que abrace todas as linguagens, há sim o afastamento do educador de sua forma de expressar e o embaraço do tempo de sua formação, tornando-o pessimista com relação a sua formação. Para PCN de Arte (1997, p. 53), o professor deveria "edificar relação de autoconfiança com a produção artística pessoal e conhecimento estético, respeitando a própria produção e a dos colegas, no percurso de criação que abriga multiplicidade de procedimentos e soluções".
Entretanto, os objetivos pedem ao professor de arte que atue de modo polivalente no espaço de tempo muito curto. Uma peça de teatro que possa transmitir alguma qualidade leva no mínimo um ano ou mais para ser ensaiada. Uma pintura é uma composição de meses. As atividades são abandonadas antes de seu termino, escrevendo desse modo uma incompletude no currículo oculto da criança. Para Jung (2008), essa prática limita os sentidos da criança (no caso da escola), futuro homem, na percepção que este tem do mundo à sua volta.
No momento que a criança tem contato com instituições de ensino não-formal e percebe que a atividade que a escola ofereceu não serve, a escola fica parecendo espaço de desaprendizagem, pois parece que a escola não conhece o conteúdo corretamente.
De todos os objetivos, o abaixo citado, retirado do PCN de Arte é o que consegue ser identificado dentro da comunidade escolar, o objetivo que faz do professor de arte, complemento do professor de História. As aulas de Arte tem sua descaracterização mais expressiva no que diz respeito a esse objetivo.
O PCN de Arte (1997, p. 54), nos apresenta o seguinte conteúdo:
Compreender e saber identificar a arte como fato histórico contextualizado nas diversas culturas, conhecendo, respeitando e podendo observar as produções presentes no entorno, assim como as demais do patrimônio cultural e do universo natural, identificando a existência de diferenças nos padrões artísticos e estéticos.
No entanto, o professor de arte tem se limitado ao conteúdo histórico, apresentação de vídeos e ilustrações de livros. A prática artística tem conteúdo histórico significativo, mas que se perde sem o amparo prático.
Não há apreciação artística no discurso de sala de aula, sem apresentação de obras reais, sem o contato técnico com materiais e com artistas. O PCN de Arte (1997, p. 54), tem como objetivo, " observar as relações entre o homem e a realidade com interesse e curiosidade, exercitando a discussão, indagando,  argumentando e apreciando arte de modo sensível". Logo, é possibilidade atraente, mas esse objetivo de sensibilizar a criança não é alcançado na escola, pois esta é mantida distante do pratico e amarrada à teoria e todo fazer/criar artístico, necessita de prática artística.
Pensar o ensino da Arte na escola está atrelado a problemas na composição das leis e do currículo escolar. Como orientar a criança na prática artística, para identificar técnicas e os processos percorridos pelo artista, se na escola não há contato prático do professor com a expressão de sua formação, e o PCN de Arte (1997, p. 54), ainda, faz menção ao professor polivalente que tem de "compreender e saber identificar aspectos da função e dos resultados do trabalho do artista, reconhecendo, em sua experiência de aprendiz, aspectos percorridos pelo artista". É incoerente e absurdo acreditar que os caminhos do ensino da Arte tentem ser expressos em documento tão incompleto como o PCN de Arte.
No entanto, o PCN de Arte (1997, p. 54), nos diz que o professor de Arte deve preparar o aluno para:
Buscar e saber organizar informações sobre a arte em contato com artistas, documentos, acervos nos espaços da escola, fora dela e acervos públicos, reconhecendo e compreendendo a variedade dos produtos artísticos e concepções estéticas presentes na história das diferentes culturas e etnias.
Os objetivos expressos no PCN de Arte são meras especulações, propostas apenas para tapar buracos burocráticos. O ensino da Arte na escola é um projeto audacioso que é entregue as mãos dos professores para que os mesmos destoem não apenas da profundidade de que é dotado o conteúdo de Arte, mas desrespeito à formação do profissional de Arte.
Por meio da prática artística os estudantes poderiam dar cor e forma aos conteúdos das demais disciplinas. O cubo não seria apenas um número pequeno sobre outro número. Pensar arte na escola e seu ensino, faz pensar em outros aspectos de sua forma de ensinar arte, a Arte/educação presente nas instituições de ensino não-formal.


REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:

BRASIL; Secretaria de educação fundamental. Parâmetros curriculares nacional: Arte. Brasília: MEC/ SEF, 1997

JUNG, Carl Gustav. O homem e seus símbolos. Rio de janeiro: Nova fronteira, 2008

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