quinta-feira, 7 de julho de 2016

Arte rupestre e o olhar sobre as propostas do passado

Maros, conhecidos desde os anos 1950, mão humana pintada em negativo através de técnica de impressão similar ao estêncil.
O homem moderno é fruto do passado de transformações da humanidade, o homem adaptável culturalmente, ou seja, diferenciado, capaz de criar mecanismos para apropriar-se do ambiente. Marcone e Presotto (2005, p. 77) nos dizem que as "primeiras manifestações culturais foram instrumentos intencionalmente confeccionados, primeiramente de pedra, depois de osso e madeira, tendo função utilitária ou bélica".
O homem, após tantas conquistas torna-se capaz de renovar os mecanismos já descobertos ou simplesmente contribuir com a construção/produção de novos. As provas concretas do desenvolvimento cultural do homem está nos estágios evolutivos. Paleolítico ou Idade da pedra lascada e o Neolítico ou Idade da pedra polida. Marconi e Presotto (2005), afirmam que:
O período Paleolítico possui a constatação de artefatos nos leitos dos rios, utensílios de pedra, a presença de industria. E, de manifestações artísticas como: as modelagens, as pinturas rupestres e as esculturas. Há, também, presença de arpões, propulsores, arcos e micrólitos geométricos e não-geométricos. O período Neolítico distingue-se pela domesticação de animais e plantas, pelo acontecimento dos aglomerados humanos, pela cerâmica, por sua arquitetura monumental e pelo manuseio dos metais.
Então, compreenda que o desenvolvimento cultural humano está associado a evolução psicobiológica, pois, suas mudanças acompanham processos de apuração dos sentidos, tais apurações reorganizam de modo esquemático seu modo de produção. Logo, a arte é característica universal da cultura, pois, está presente em todos os conjuntos humanos em todas as épocas e locais. Por meio da produção artística o homem contribui para a transcrição histórica da humanidade e é por meio dela que organiza incessantemente seu modo de aprender e apreender o meio em que vive.
O homem surge e com ele seus utensílios e uma produção artística infinita, que entre o Atlas e a Floresta tropical de um lado, o Mar vermelho e o Atlântico de outro constituem centenas de milhares de gravuras e pinturas. Esse o homem interpreta, nas pinturas, a realidade com admirável habilidade imaginativa. Os petróglifos, como foram denominados as representações rupestres, são os relatos do homem que constrói e se constrói movido por desenvoltura estética inacreditável.
As pinturas rupestres podem ser consideradas o caminho percorrido entre o real e a ideia. Mais que simples símbolos gráficos são caminhos do passado. A partir das palavras de Joseph Ki-Zerbo (2010, p. 762), entendamos que:
A arte pré-histórica, como qualquer outra, nada mais é que o reflexo da existência concreta do homem em determinada sociedade: um momento "ideológico" e superestrutural que expressa certo equilíbrio ecológico e sociológico que permite o homem preservá-lo ou melhorá-lo em seu favor.
A arte pré-histórica é o meio dos povos comunicar e significar o fazer social do passado. São registros de caça, pesca, rituais de fertilidade entre outras atividades de caráter social.
O homem pré-histórico possui a necessidade de registrar sua passagem, seus feitos individuais e coletivos, o habito de registro acaba por tornar-se característica da espécie humana. Joseph Ki-Zerbo (2010, p. 765), nos conta que "o homem nasceu cronista, e os artistas da pré-história são os primeiros historiadores, pois nos legaram em termos legíveis os estágios progressivos do homem em sua relação com o meio natural e social".
Entretanto, muitos registros encontrados nos sítios arqueológicos permanecem indecifráveis, o que abre um hiato de possibilidades na História conhecida sobre o surgimento da humanidade.
A arte pré-histórica é a introdução fantástica de todo processo de mudança social que compõe a sociedade moderna atual. A análise de suas peculiaridades tem força de afirmar o inicio de um contexto educacional, talvez o inicio de sua sistematização, que infelizmente foi pouco explorada, precisa por isso de estudos mais profundos.
A exemplo da África, estudiosos acreditam que o ensino das artes deva ser reintroduzido na vida dos africanos por meio de programas educacionais na escola formal para que os caminhos traçados não façam parte apenas das academias. Acredita-se, segundo as palavras de Joseph Ki-Zerbo (2010, p. 765) que "a arte pré-histórica constitui um filme documentário sobre a infraestrutura das primeiras sociedades que viveram nos continentes".
Portanto, os homens do paleolítico e neolítico são a ponta visível da faca a ser tratada cuidadosamente para não distorcer todo um contexto sócio-histórico-cultural. Logo, a Arte é uma entre as muitas engrenagens de movimento da história.
A arte é utilizada no contexto educacional desde o mais remoto resquício de organização social. O homem pré-histórico trata seu modo impar de apropriar-se do natural e industrializa-lo, apropriar-se do real e significa-lo com pinturas, tanto para aprender como para ensinar, de seu tempo até os tempos atuais. Joseph Ki-Zerbo (2010, p. 750), acredita que "as gravuras de contorno profundamente entalhados estão relacionados a fins religiosos, enquanto as ranhuras mais delicadas teriam finalidade pedagógica ou de iniciação".
Portanto, a dinamicidade plástica é o marco na forma de ensinar e aprender do homem, dinâmica esquecida e substituída por formas pouco concretas de aprender e ensinar.

Referência Bibliográfica

KI-ZERBO, Joseph. História Geral da África: Metodologia e pré-história da África. Brasília: UNESCO, 2010

MARCONI, Marina de Andrade; PRESOTTO, Zelia Maria Neves. Antropologia: uma introdução. São Paulo: Atlas, 2006

UNIVPARIS1. Les peintures rupestres de l'abri Wadi Sura II en Egypte. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=kaL6cAxDEzc&index=11&list=PL71758E4BC83C5DC4. Acesso em: 06 jul. 2016.

UNIVPARIS1. La passion du dessin et de la préhistoire. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=XFkfDnuGbG0&list=PL71758E4BC83C5DC4&index=2. Acesso em: 25 jun. 2016.

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