quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Análise do filme “o garoto selvagem” a luz das teorias estruturalista e gerativista

O trabalho é a analise do filme “O garoto selvagem” segundo as teorias estruturalista e gerativa. Filme que segundo o diretor François Truffaut é uma história verdadeira e começa em uma floresta francesa no verão de 1798.
O filme tem inicio na floresta, onde uma camponesa recolhe frutinhas e alguns grãos. Esta ao se deparar com ruídos estranhos vindos do mato fica assustada e foge. Ao retornar trás com ela caçadores armados acompanhados por cães de caça.
Os caçadores perseguem o garoto mata adentro sem compreender bem o que perseguiam. Foi ao encurrala-lo em um buraco que perceberam tratar-se de uma criança. Nua, suja e com estranha agressividade. Uma criança que aparentava 11 ou 12 anos. O garoto (ator Jean-Pierre Cargol) é apelidada de “Selvagem de Aveyron”. Alimentava-se de grãos e raízes. Não fala, lê ou escreve e sua postura lembra um animal quadrupede.
O incidente é noticiado e a manchete chega às mãos do Prof. Dr. Jean Itard (ator e diretor François Truffaut) que se interessa pelo caso do “garoto selvagem de Aveyron”. A criança é trazida à Paris para que seja determinado seu grau de inteligência e para que seja observado o comportamento de um individuo privado de contratos sociais básicos e escolarização.
Sua chegada em Paris causa grande euforia, pois todos queriam ver o Garoto selvagem. Por aparentar deficiência auditiva a criança é levada a Institution nationale des sourds et moets onde é averiguado que não há deficiência auditiva, mas uma inversão na utilização dos sentidos que resulta em certa indiferença a determinados tipos de som.
Aos olhos da instituição e da sociedade a criança é vista como um “ser inferior” e diagnosticada com retardo, por esse motivo Dr. Itard é informado da possível transferência da criança para uma instituição que trate de patologias mentais. A posição de Dr. Itard com relação ao garoto é oposta, pois não acredita que haja retardo, mas que a criança teve a desventura de ser abandonada na floresta a própria sorte e sua falta de contato com seres de sua espécie transviaram sua conduta social. Este pede a guarda da criança às autoridades com o objetivo de educa-lo. Ao chegar à residência do Dr. Itard a criança é recebida pela governanta. Na casa o menino passa a ser chamado de Victor. O filme é de gênero dramático e seu título original é L’enfant sauvage, dirigido por François Truffour em 1969, conta a história do Dr. Jean Itard na tentativa de descrever as competências do jovem Victor, “o garoto selvagem”.
A análise do filme fará valer os processos de desenvolvimento da linguagem da criança (Victor) a partir de sua chegada à casa de Dr. Itard. Serão feitas observações dentro de duas teorias linguísticas. A primeira é a teoria estruturalista representada por Ferdinand de Suassure que afirma o som como instrumento da linguagem e que este pode ter um lado individual (fala), um lado social (língua) e o lado individual social (linguagem) e a segunda é a teoria gerativa representada pelo teórico Noam Chomsky que apresenta como princípio fundamental do gerativismo a ideia de que número limitado de regras pode gerar um infinito de sequências possíveis. Seu processo é dedutivo, pois parte da abstração (a descrição) para o concreto (a explicação).

Teoria estruturalista

Um dos maiores objetivos do Dr. Itard, sua motivação é a de conseguir reconstituir o contexto histórico do menino. Reconstituir sua vivência no isolamento, mas para isso teve de imergir a criança no contexto social da época e apresentar-lhe o instrumento fundamental da linguagem. O som.
A criança não articulava palavras, emitia ruídos como grunhidos de animal e seria fundamental para objetivos de Dr. Itard que a criança adquirisse uma linguagem com a qual pudesse comunicar de modo consciente.
Durante o filme a criança é apresentada a objetos comuns a cultura em que se encontrava: uma chave, uma tesoura e um martelo. A própria convivência com outras pessoas na tentativa de estimular seu lado social, tornando-o receptivo a língua. Ao mesmo tempo Victor é estimulado a articular sons que representem sua vivência como o simples ato de pedir algo, no caso o “leite”. O filme termina antes de Victor demonstrar uma linguagem para comunicar de modo consciente, pois a junção da vasilha com a fala “leite” parece um gesto simbólico que comunica apenas aquele grupo social onde Victor está inserido.

Teoria gerativa

A partir de sua chegada a residência de Dr. Itard, Victor é apresentado a conteúdos sociais como: sentar-se a mesa para se alimentar, utilizar talheres, vestir roupas, pentear o cabelo, tomar banho. Todo este processo gera conteúdo para utilização da língua e assim exercitar a fala. O conjunto limitado de representações sociais que parecem possibilitar a fala.
Dr. Itard apresenta a Victor ferramentas comuns. No inicio apenas três e depois sequências maiores para que a criança exercitasse o reconhecimento sonoro dos objetos. Durante as atividades o professor pede o objeto e Victor vai até um outro cômodo busca-lo.
Em certo momento do filme o professor troca as imagens dos objetos desenhados na lousa por representações escritas, o que causa desconforto e empatia na criança que passa a abandonar as atividades.
É notório o fato, enquanto as atividades trabalhavam com linguagem visual a criança conseguia passar da abstração para o objeto concreto, não havia perturbações no processo dedutivo. No entanto quando o professor muda a forma de comunicar para linguagem escrita isso causa desconforto na criança que recusa a atividade.
O processo dedutivo que Dr. Itard tenta despertar em Victor não apresenta conclusões no filme, mas o final implica que Victor foi bem sucedido em sua aprendizagem e por ventura na aquisição da linguagem adequada a sociedade da época.

Conclusão

Ao analisar o filme “O garoto selvagem” segundo as teorias estruturalista e gerativa, concluiu-se que o menino Victor ao exercitar sua sociabilidade foi capaz de adequar-se a língua, assim exercita sua fala para comunicar pequenas necessidades como a de uma tigela de leite. Logo, o contato social do garoto com o mundo civilizado organizou a articulação da fala para que essa fosse utilizada de modo consciente para comunicar aos da mesma espécie.
Os estímulos para os processos de dedução contribuíram para comunicação e raciocínio lógico. Importante para que a linguagem passe da mera descrição para algo explicativo.


REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

BORGES NETO, José. O empreendimento gerativo. In: MUSSALIM, Fernanda; BENTES, Anna Christina (Org.). Introdução à linguística: fundamentos epistemológicos. São Paulo: Cortez, 2005. p. 93- 129

INFOESCOLA. Teoria Gerativa de Noam Chomsky. Disponível em: http://www.infoescola.com/comunicacao/teoria-gerativa-de-noam-chomsky/. Acesso em: 06 Set 2016

SAUSSURE, Ferdinand de. Curso de linguística geral. São Paulo: Cultrix, 2012

TRABALHOS DE PSICOLOGIA. O garoto selvagem de Averyon. Disponível em: http://www.notapositiva.com/trab_estudantes/trab_estudantes/psicologia/psicologia_trabalhos/meninoselvagem.htm. Acesso em: 06 Set 2016


YOUTUBE. O garoto selvagem. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=K6GZPuxuBTU&list=LL-1WN7RgAkbdHdU2MDyU8mw&index=2. Acesso em: 05 Set 2016