quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Arte na Pré-história e na Antiguidade


Arte é uma forma de linguagem, uma forma de expressão utilizada pelo homem desde os tempos mais remotos. A arte contribui para espiritualização do homem que procura assumir-se e conhecer-se para atuar de modo mais consciente e livre no mundo.
O conceito de beleza teve origem na Grécia antiga, produto de uma determinada filosofia de vida. A arte era para os gregos uma idealização da natureza e especialmente do homem.
O importante ao analisarmos uma obra de arte é descobrir os motivos que a determinam: o pensamento, a imaginação, o sentimento, as circunstâncias de época, de lugar, de ambiente em que nasceu. A arte foi feita por grandes homens, aqueles que souberam ver e expressar a essência de seu tempo e antecipar os desafios do futuro como Velasquez, Michelangelo, Goya, Leonardo da Vinci e muitos outros.
A arte começou a ser criada na pré-história. No ano de 1879, o Marquês Marcelino de Sautuola, estudioso de arqueologia levou sua filha Maria a região de Altamira, situada ao norte da Espanha em meio aos montes Cantábricos. Era uma área de grande interesse, pois já se sabia na época de grutas pré-históricas ainda não exploradas. Enquanto o Marquês observava as paredes rochosas, sua filha havia descobrido uma abertura na caverna onde podiam ser vistos touros pintados. Maria encontrou um verdadeiro tesouro. A caverna de Altamira é para alguns historiadores de arte a capela Sistina da pré-história, por tamanha variedade de pinturas encontradas, tanto na parede como no teto. Com o descobrimento de varias cavernas como Lascaux, Font de Gaume entre outros.

ARTE NA PRÉ-HISTÓRIA OU ARTE RUPESTRE

Na pré-história encontraremos duas importantes divisões: o período paleolítico e o período neolítico.

  • Período Paleolítico
Conhecido como idade da pedra lascada é o período mais antigo e longo da história (3,5 milhões a.C. à 10.000 a.C.). Os diferentes grupos hominídeos vivem em pequenos bandos, alimentam-se de caça, pesca e coleta de frutos. Abrigam-se em cavernas. Desenvolvem muito lentamente a linguagem oral e a fabricação de instrumentos de osso e pedra com os quais caçam, guerreiam e realizam entalhes nas pedras. Em diferentes momentos aprendem a utilizar e produzir fogo.
As primeiras manifestações artísticas no período Paleolítico consistem em pinturas e gravuras encontradas nas paredes das cavernas representadas por figuras de servos, bisontes, cavalos selvagens, ursos, rinocerontes peludos, mamutes e outros animais feitas pelo homo sapiens. Não ficou testemunho de manifestação artística da cultura dos homens de Neandertal.
A figura humana também aparece, mas em menor quantidade. Na escultura de modo geral, aparecem mulheres com grandes seios, ventre saltado e nádegas grandes.
O homem foi primeiro escultor e depois pintor, dada a maior capacidade de abstração exigida pela pintura. Nesse período aparecem figuras femininas talhadas em marfim, osso e pedra, apresentando geralmente formas volumosas, bastante gordas que estariam ligadas a símbolos ou ritos de fecundação. Entre as esculturas mais conhecidas está a Vênus de Willendorf e a Vênus de Brassempouy.
O homem primitivo para conseguir a cor em suas pinturas utilizou: terras vermelhas, amarelas e pardas. Carvão, pedra calcária, gordura animal e sangue de animal. Na arquitetura o homem primitivo utilizou cavernas naturais e posteriormente a construção de Dólmens (monumento que apresenta duas pedras na vertical e uma sobreposta na horizontal), a construção de Navetes (túmulos em forma de naves feitos em pedra e fechados), a construção de Cromlecs (varias pedras na vertical com pedras sobrepostas na horizontal , abertas em uma extremidade), a construção do Menir (uma grande pedra vertical que os historiadores acreditam ser um monumento religioso).

  • Período Neolítico
O desenvolvimento da agricultura e o inicio da metalurgia entre os anos 8.000 e 4.000 a.C. constituem os aspectos principais da chamada revolução Neolítica ou Idade da pedra Polida os homens agrupam-se em povoados e aumenta a divisão do trabalho o que permite a produção de excedentes e a realização de intercâmbios com outras comunidades. A pintura e a escultura são bastante desenvolvidas nesse período. Observe algumas características: a pintura torna-se decorativa, os vasos tem motivos geométricos, esculturas são feitas em metais e criam-se os adornos corporais.
Com essa evolução surge a escrita e o homem passa a deixar registros organizados por escrito entrando no período que chamamos História.

A ARTE NA ANTIGUIDADE

O primeiro período em que a história se divide é na idade antiga que começa com o aparecimento da escrita. Este foi o período das grandes civilizações míticas como a da Mesopotâmia, do Egito, da Grécia e de Roma.

Neste ciclo histórico foram produzidas as sete maravilhas do mundo antigo: Pirâmides do Egito, Colosso de Rodes, os Jardins suspensos da Babilônia, estátua criselefantina de Zeus, o templo de Artemis, o mausoléu de Halicarnasso e o Farol de Alexandria.
  • A Arte Mesopotâmica
Na Mesopotâmia desenvolveram-se muitas civilizações: Sumeriana, Babilônica, Persa e Assíria. Na arquitetura encontramos o tijolo crú e cozido. Os sumérios construíram templos, palácios e Zigurates que são construções com torres em andares. A escrita dessa época recebe o nome de escrita cuneiforme. Os documentos escritos da mesopotâmia são tabuas pictográficas de Uru.
Na música todos os povos da Mesopotâmia possuíam instrumentos de corda, sopro e percussão, tocavam e cantavam em conjunto em cerimônias festivas, guerreiras e fúnebres. A escultura aparece como complemento da arquitetura, sendo muito usados os baixos relevos. A cerâmica apresenta tijolos cozidos, objetos domésticos e também tijolos vitrificados. Esses tijolos vitrificados são policromados e a pintura aparece sob a forma de afresco.

  • A Arte Egípcia
Os egípcios construíram em sua época uma grande civilização. Trabalharam a arte em variadas manifestações, mas as que chegaram até nós com destaque foram a arquitetura, a pintura e a escultura. A arquitetura egípcia caracteriza-se por: aspecto maciço e pesado, simplicidade de formas, poucas aberturas e tamanho colossal dos monumentos.
Os egípcios construíram dois tipos de monumentos: funerários e religiosos. Os monumentos funerários são: Pirâmide ( para o Faraó), mastaba ( para os nobres) e o hipogeu (para o povo). Os monumentos religiosos eram: o templo (local de adoração aos deuses), o obelisco (monumento megalítico feito com uma única pedra em ponta) e a esfinge (escultura que apresenta cabeça humana e corpo de leão, simbolizando a inteligência aliada a força). Inúmeras são as pirâmides e esfinges no Egito, destacam-se as pirâmides de Quéops, Quéfren e Miquerinos. E a esfinge de Gizé que é maior de todas.
A pintura Egípcia possui características que a tornam única: ausência de perspectiva, uso da lei da frontalidade, uso de cores planas sem sombreado, policromia e a união da pintura com os hieróglifos. A escultura egípcia foi grandemente desenvolvida, suas principais características são: estátuas gigantescas, estátuas esculpidas na rocha, estátuas representando imobilidade e rigidez. As imagens esculpidas nas pirâmides revelam que os egípcios possuíam numerosas espécies de instrumentos musicais: arpas, alaúdes, flautas, trompas, tambores e campainhas.
A escrita egípcia é encontrada em todos os túmulos. Externa e internamente, seja esculpida, seja pintada nas paredes, em papiros e pergaminhos.
  • A Arte Grega
Os gregos eram voltados para arte do pensar, a filosofia. Sócrates, Platão e Aristóteles foram filósofos gregos. A arquitetura grega apresenta três ordens arquitetônicas: a Dórica, a Jônica e a Coríntia. Suas principais características são: planta retangular, uso do frontão triangular, uso das cariátides, ausência do arco e da abóboda, colunas rodeando os edifícios e predomínio da linha horizontal sobre a vertical. Os gregos construíram templos, teatros, ginásios e pórticos. Situado na acrópole em Atenas está o mais famoso conjunto arquitetônico grego e nele encontramos a obra mais importante, o Partenon. Esse templo é a obra prima em arquitetura. Construído em estilo Dórico, ele é perfeito visto sob todos os ângulos.
A escultura grega foi muito trabalhada, tendo na estatuária seu ponto máximo, suas características gerais são: expressão corporal, movimento e técnica antefrontal. Os gregos trabalharam muito o afresco e em muitos casos utilizaram o mosaico para substituir a pintura. É na cerâmica que vamos encontrar exemplos da pintura. A pintura em vaso foi muito desenvolvida na Grécia, tendo como temas as cenas de guerras, cenas do cotidiano e cenas do mar e seus habitantes.
O Teatro é originário da Grécia. É o resultado da união da poesia e da música. Os principais instrumentos gregos eram a flauta, trompas, tambores, citaras e liras. Os gregos faziam música de orquestra, de dança, festiva, fúnebre e heroica.

  • A Arte Romana
Roma chegou a governar o mundo. Foi centro do maior império da antiguidade e sua influência se fez sentir em toda Europa, parte da Ásia e África. A arte romana recebeu influência grega e etrusca. Dos etruscos herdou o arco e a abóbada. Dos gregos todo o restante. Com a decadência da arte clássica grega, a arte romana toma seu lugar a partir do séc. I a.C.
Alguns templos são derivados diretamente da estética grega. Paralelamente surge no império romano a prática da pintura mural decorativa. Em localidades como Pompéia atinge grande inventividade com ensaios de perspectiva que só serão retomados no Renascimento. A escultura romana por sua vez não apresenta evolução significativa com relação a grega. A arquitetura romana caracterizou-se por apresentar: tamanho colossal dos monumentos, uso do arco romano e da abóbada, uso da ordem compósita e estátuas nos telhados. As construções romanas mais típicas são: templos (para adoração dos deuses), basílicas (para o comercio e aplicação das leis), termas (local destinado a higiene física e mental), circos ( para diversão pública), teatros (imitação dos teatros gregos), anfiteatros ( criação romana, tinha forma de circulo fechado. O mais famoso é o anfiteatro Flaviano ou Coliseu). Monumentos decorativos como arcos do triunfo, colunas e aquedutos.
Características da escultura romana: realismo, uso do retrato em larga escala, aparecimento da estátua equestre, movimento e técnica antefrontal. A cerâmica romana seguiu os mesmos padrões da cerâmica grega, assim como o mosaico. A literatura evoluiu muito em Roma. Os principais escritores foram: Cícero, Virgílio, Horácio, Lívio Andrónio e Plauto. No teatro encontramos diferença entre o grego e o romano. Os romanos representavam as cenas mais violentas, enquanto os gregos eram apenas narradas. Na música, a lira, a citara e a arpa foram os instrumentos mais comuns.
O império romano foi grandioso, mas o luxo, a indolência, o vício e a corrupção levaram os romanos a decadência e a extinção de seu império.


Referência Bibliográfica

GOMBRICH, E. H. A história da Arte. Rio de Janeiro: Guanabara, 1988

UPJOHN, Everard M.; WINGERT, Paul S.; MAHLER, Jane Gaston. Histoire mondiale de l'art: De la préhistoire a la Grèce antique. Paris: Marabout Université, 1965

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Vigotski: A formação social da mente


Na área de Psicologia da educação Piaget tem sido a maior referência, então o aparecimento do Vigotski trouxe outra alternativa e o Piaget não é um autor preocupado com a escola e com a intervenção pedagógica.
Nasceu em 1896 na Bielorrússia país que fez parte da extinta União Soviética e faleceu em 1934 com tuberculose aos 37 anos. Membro de uma família de situação econômica confortável e, também, uma das mais cultas da cidade. Formou-se em Direito, trabalhou como professor e pesquisador nas áreas de psicologia, pedagogia, filosofia, literatura, deficiência física e mental. Com Leontiev e Luria formou um grupo de jovens intelectuais da Rússia pós revolução que buscavam uma nova psicologia. Embora a produção de Vigotski não seja um sistema explicativo completo é um trabalho vasto com cerca de 200 trabalhos científicos que serviram de ponto de partida para inúmeros projetos de pesquisas posteriores. Os temas vão desde a neuropsicologia, crítica literária, deficiência, linguagem, psicologia e educação.
Segundo Vigotski (2007), existem os planos genéticos de desenvolvimento, este implica que o mundo psicológico não está pronto previamente, ou seja, não nasce com as pessoas, mas também não é um pacote pronto recebido pelas pessoas do meio ambiente. Vigotski é um autor dito interacionista, pois leva em conta questões tanto internas quanto questões externas no desenvolvimento do sujeito.
Para Vigotski há quatro entradas do desenvolvimento que servem para caracterizar o funcionamento psicológico do ser humano: a Filogênese, a Ontogênese, a Sócio-gênese e a Microgênese.
  • Filogênese
A filogênese diz respeito a história da espécie animal e como essa história define limites e possibilidades psicológicos. Logo, há coisas que somos capazes de fazer e há coisas que não somos capazes de fazer. Uma série de características de funcionamentos do corpo humano que servirão para fundamentar o psicológico dos sujeitos. Vigotski aponta como maior característica do animal humano a plasticidade do cérebro, pois o homem é o animal menos pronto ao nascer e depende do que o ambiente fornecer o cérebro vai se adaptando.


  • Ontogênese
O segundo plano genético do qual Vigotsky fala é o chamado Ontogênese que significa o desenvolvimento do ser, ou seja, de um individuo de uma determinada espécie que possui um caminha para se desenvolver. Nasce, cresce, se reproduz, morre e num determinado ritmo, uma certa sequência e este plano está muito ligado a filogênese, porque os dois são de natureza muito biológica dizendo respeito a pertinência do homem a espécie. Um exemplo dessa sequência é o tempo que o bebê passa deitado, depois sentado, engatinhando, levanta e finalmente aprende a andar.
  • Sociogênese
A sociogênese nada mais é que a história cultural, ou seja, a história da cultura onde o sujeito está inserido. As formas de funcionamento cultural que interferem no funcionamento psicológico. Há dois aspectos importantes: o primeiro é a cultura como alargador das potencialidades humanas e o segundo aspecto é a possibilidade com que as culturas se organizam de modo diferente.

  • Microgênese
A microgênese refere-se ao fato que todo fenômeno psicológico tem sua própria história, ou seja, tem foco bem definido. A microgênese é a porta do não-determinismo, pois a filogênese e a ontogênese carregam um certo determinismo biológico. O sujeito está atrelado as possibilidades de sua espécie. Na sociogênese há um determinismo cultural, pois a cultura está determinando para onde o individuo pode ir, dando também limites e possibilidades.
A microgênese observa que cada fenômeno tem sua história e que ninguém tem história igual do outro, isso implica na singularidade da pessoa e na heterogeneidade do ser humano. Não há duas histórias iguais. Coisas que parecem, resultam diferente, pois experiências diferentes.

  • Mediação simbólica
A invenção e o uso dos signos são meios auxiliares para solucionar um dado problema psicológico, tais como lembrar, comparar, 


CONTINUA...


Referência Bibliográfica

VIGOTSKI, L. S. A formação social da mente: o desenvolvimento dos processos psicológicos superiores. 7ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 2007. 168 p.

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Piaget e a epistemologia genética

Jean Willian Fritz Piaget é um dos autores mais influentes do século XX. A sua importância vem do volume de sua obra, por volta de 70 livros e mais de 200 artigos. Piaget faleceu aos 83 anos no ano de 1980. O ponto essencial de sua obra é o estudo da inteligência e construção do conhecimento.
A epistemologia genética trata do desenvolvimento da inteligência e da construção do conhecimento. Epistemologia é a filosofia da ciência, ou seja, a parte que estuda o fenômeno da ciência e genética significa um estudo da construção do conhecimento. Sua obra responde uma pergunta: "Como os homens constroem conhecimento?", ou seja, como o homem passa do conhecimento x para o conhecimento x+1 e esse foi o problema que tentou resolver durante toda sua vida.
Como a criança é o ser que mais evidentemente constrói conhecimento, Piaget concentrou seu trabalho com crianças, mas sua pergunta não é de psicologia da criança. Sua pergunta é epistemológica: "como os homens sozinhos ou em conjunto constroem conhecimento?", por esse motivo sua obra fala sobre inteligência e construção do conhecimento.

Inteligencia

Para Piaget a inteligência deve ser definida enquanto função e enquanto estrutura. Função é o processo de adaptação, pois os processos da inteligência leva o sujeito a sobreviver, adaptar-se ao meio, modificar o meio para adaptar-se melhor a ele. Enquanto estrutura é a organização dos processos que permitem, se a organização for complexa um nível de conhecimento superior e se for menos complexa um nível de conhecimento inferior. O crescimento da inteligência não se dá por acumulo de informações, mas pela reorganização dessa própria inteligência, ou seja, crescer é reorganizar a própria inteligência para ter maior possibilidade de assimilação.

Conceitos
  • Assimilação

Conceito retirado da biologia. Na sua psicologia assimilação significa entrar em contato com o objeto de conhecimento e retirar desse objeto de conhecimento algumas informações e essas informações e não outras. Logo, assimilação significa interpretar o mundo apropriando-se elementos para resolver problemas e deixar outros elementos de lado.
  • Acomodação
As estruturas mentais, entenda-se por estrutura mental a organização da pessoa para conhecer o mundo, são capazes de se modificar para dar conta das singularidades do objeto. Se pensarmos assimilação e acomodação podemos dizer que assimilar é conhecer o objeto, mas como o objeto apresenta certas resistências a organização mental se modifica e a essa modificação se dá o nome de acomodação. Logo, o processo de inteligência é um processo de assimilação e acomodação.
  • Equilibração
Equilibração vem da ideia de equilíbrio. O sujeito ao entrar em contato com o objeto novo entra em conflito com esse objeto no sentido de desequilibrado. O objeto não se deixa conhecer facilmente, pois possui suas singularidades e para conhecer esse objeto é necessário acomodar, ou seja modificar para dar conta do novo conhecimento, então, equilibração na verdade é a constante busca de estabilidade do conhecimento. O crescimento da inteligência se dá pelo processo de desequilíbrio e equilíbrio em processo dinâmico. Por isso equilibração.
  • Abstrações empírica e reflexiva
Abstrações empíricas são as informações retiradas do objeto do conhecimento, é abstração empírica pois estou retirando informações do objeto do conhecimento, porem no processo de retirar essas informações, também pode ser pensado o relacionamento do sujeito com o objeto. As ações sobre esse objeto.
Abstração reflexiva é a informação retirada da ação sobre o objeto. Por exemplo, tenho dois carros de brinquedo, sendo que um é amarelo e o outro é verde, ao observar os carros percebo a diferença nas cores, faz-se comparações. Esse é o pensar sobre o agir, diante do objeto. Piaget diz que a construção do conhecimento se dá por Abstração empírica e abstração reflexiva. O processo de desenvolvimento da inteligência se dá pelo agir e pensar sobre esse agir.

  • Estágios
O desenvolvimento da inteligência não é linear, ou seja, simplesmente por acumulo de informação, mas um desenvolvimento que se dá por saltos, rupturas. Os estágios representam uma lógica da inteligência que será superada por um estágio mais avançado que apresenta outra lógica do conhecimento. Cada estágio representa uma qualidade da inteligência. Piaget definiu três estágios: Sensório-motor (0 a 24 meses); pré-operatório (02 a 07 anos) e; operatório (07 anos em diante). Dentro do estágio operatório Piaget fez a divisão em operatório concreto (07 a 12 anos em média) e operatório formal (12 anos em diante).

  • Estágio Sensório-motor
Antes dos trabalhos escritos por Piaget acreditava-se que a inteligência dava-se a partir da linguagem, ideia essa que ainda é muito forte em algumas pessoas. Esta fase do desenvolvimento de 0 a 2 anos é extremamente rica, pois demonstra que a inteligência começa a se estruturar muito antes da linguagem e por tanto nesse período de 0 a 24 meses são feitas uma série de conquistas cotidianas onde pequenos passos são dados para possibilitar a criança falar.
Segundo Piaget a inteligência é anterior à fala, pois a criança tem sobre o que falar porque esta construiu esse mundo, sobre o que falar, antes. Nesse estágio pode ser observada uma inteligência pré-verbal, uma inteligência sem linguagem, uma inteligência sem comunicação verbal com o outro. Este estágio também é chamado de inteligência prática, pois a criança comunica-se por meio de suas ações e percepções.
Objeto - a criança não tem noção ou clareza de que no universo onde se encontra há objetos e que está é um objeto entre estes objetos. O estágio sensório-motor é onde a criança constrói a noção de objeto. O objeto permanente é aquele objeto que embora não esteja perceptível, sei que existe. A criança aprende que algo existe mesmo que não esteja no seu campo de percepção, assim pode procura-lo.
Causalidade - é a fase em que a criança percebe que o mundo não se move a partir de sua vontade. É o momento onde começam a ser construídas as regras de movimento dos seres, objetos e que essas regras se aplicam a própria criança.
O período sensório-motor é o momento de construção de real e do próprio universo infantil onde as crianças apresentam a relação de meios e fins. É apresentado a criança o universo de leis objetivas. Ou seja, você apresenta um objeto a criança e depois cobre esse objeto com cobertor. A criança não tem noção que puxando o cobertor poderá entrar em contato com o objeto, no entanto por volta de 9 ou 10 meses a criança já consegue mover um objeto para poder apropriar-se de outro.

  • Estágio Pré-operatório
O estágio pré-operatório começa a partir dos 2 anos de idade, ou seja, há melhora na qualidade da inteligência e que Piaget chama de estágio da representação que é a capacidade de pensar um objeto através de outro objeto. A inteligência que era anteriormente uma inteligência em ação é agora uma inteligência em representação. A criança começa a organizar suas ações de modo coerente para que possa operar no seu universo de representações.
Piaget apresenta esta fase como uma das mais difíceis para criança, pois muitas das representações desta fase só serão superadas no estágio operatório.
Introdução à linguagem - é o momento de socialização da inteligência, porque a linguagem permite a comunicação.
Introdução à moralidade - é o momento em que a criança entra no mundo dos valores, das regras, das virtudes, certo, errado e esse é o momento evidentemente importante.
Egocentrismo - é a dificuldade da criança em perceber o ponto de vista do outro, pois está vê o ponto de vista do outro centrada em seu próprio ponto de vista. O exemplo disso é o fato da criança contar um fato como se a pessoa que escuta já soubesse a estória.
  • Estágio Operatório
Piaget observou na fase Pré-operatória o que falta para criança chegar na fase operatória. Operação é uma ação interiorizada reversível. No sensório-motor a criança tem ação, no pré-operatório a criança tem ação interiorizada e no operatório está ação é reversível, ou seja, a possibilidade de pensar a ação e pensar a anulação desta ação.
Sentimento de necessidade - nesta fase a criança vê as coisas como necessárias. No pré-operatório as coisas são prováveis e já no operatório são necessárias se deduzidas a partir de um raciocínio.

Estágio Operatório concreto e formal
O operatório concreto é a fase onde a criança trabalho com objetos comuns a sua experiência, ou seja, articula suas vivências. Operatório formal é a fase em que a criança trabalha com ideias, hipóteses e planos de ação.


Referência Bibliográfica

LIMA, Lauro de Oliveira. Piaget para principiantes. São Paulo: Sammus, 1980. 284p.


OS PENSADORES, Coleção. Jean W. F. Piaget: Epistemologia genética. São Paulo: Abril cultural, 1975